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25 CANTORES DE ANTIGAMENTE QUE JÁ MORRERAM E DEIXARAM SAUDADES DOS ANOS 70 E 80

AS VOZES QUE SE CALARAM, MAS NUNCA DEIXARAM A MEMÓRIA DO BRASIL


Há músicas que simplesmente não envelhecem.

Basta tocar os primeiros acordes de uma canção antiga para que uma lembrança esquecida volte de repente. Um namoro, uma viagem, uma festa de família, uma noite ouvindo rádio ou simplesmente uma época em que a vida parecia completamente diferente.

É justamente por isso que a morte de grandes nomes da música brasileira provoca uma sensação tão difícil de explicar. O artista parte, mas a voz permanece. E, muitas vezes, permanece justamente onde ninguém consegue apagar: na memória de quem cresceu ouvindo aquelas canções.

Nas últimas décadas, o Brasil perdeu intérpretes, compositores e ídolos que ajudaram a construir a trilha sonora de várias gerações. Alguns tiveram despedidas inesperadas. Outros enfrentaram longas batalhas contra doenças. E houve também aqueles que partiram discretamente, depois de anos longe dos grandes holofotes.

Mas existe algo em comum entre todos eles: quando suas músicas voltam a tocar, parece que o tempo desaparece.

VANUSA: UMA VOZ QUE MARCOU UMA GERAÇÃO

Entre os nomes que deixaram uma marca profunda está Vanusa.

Dona de uma personalidade forte e de uma voz facilmente reconhecível, ela ganhou enorme popularidade principalmente durante as décadas de 1960 e 1970. Canções como “Manhãs de Setembro”, “Paralelas” e “Pra Nunca Mais Chorar” ajudaram a transformar seu nome em uma referência da música brasileira.

Vanusa não era apenas uma cantora. Ela carregava em suas interpretações uma intensidade que fazia suas apresentações chamarem atenção.

Com o passar dos anos, porém, sua vida pessoal e sua saúde passaram por momentos delicados. Já distante da rotina intensa dos grandes palcos, a artista passou seus últimos anos enfrentando problemas de saúde e vivendo em uma casa de repouso.

Vanusa morreu em 8 de novembro de 2020, aos 73 anos, em Santos, no litoral paulista. A causa da morte foi insuficiência respiratória.

A notícia provocou uma onda de homenagens. E foi curioso perceber como uma artista que já estava afastada dos grandes palcos continuava tão presente no imaginário popular.

Depois de sua morte, “Manhãs de Setembro” voltou a ser lembrada por milhares de brasileiros.

Era como se, por alguns instantes, uma geração inteira voltasse no tempo.

NEWTON CÉSAR E A MEMÓRIA DAS BALADAS ROMÂNTICAS

Outro nome que representa uma época é Newton César.

Quem viveu o final dos anos 1960 e os anos 1970 provavelmente ouviu suas canções em algum momento. O cantor construiu uma carreira ligada à música romântica e conquistou uma legião de admiradores.

Seu repertório atravessou décadas, e músicas como “Férias na Índia” e “A Namorada que Sonhei” ficaram associadas a uma geração acostumada a ouvir música pelo rádio e pelos antigos discos.

Newton César também ficou conhecido pela canção “Receba as Flores que Lhe Dou”, uma daquelas músicas que conseguem sobreviver mesmo quando o nome do intérprete já não é imediatamente lembrado por todos.

Sua trajetória profissional foi longa. Foram mais de seis décadas de carreira, dezenas de discos e apresentações para um público que permaneceu fiel.

Em 28 de janeiro de 2026, veio a notícia de sua morte, aos 86 anos, em São Paulo. A família confirmou o falecimento, mas a causa não foi divulgada.

E talvez exista uma demonstração maior de legado do que essa: alguém pode esquecer o nome, mas não esquecer a música.

RITA LEE: A ARTISTA QUE NUNCA PRECISOU SEGUIR REGRAS

Poucos nomes da música brasileira conseguiram construir uma identidade tão forte quanto Rita Lee.

Cantora, compositora, escritora e uma das grandes figuras do rock nacional, Rita atravessou gerações sem perder a capacidade de provocar, divertir e surpreender.

“Ovelha Negra”, “Mania de Você”, “Lança Perfume” e “Agora Só Falta Você” são apenas alguns dos clássicos que ajudaram a transformar sua trajetória em algo muito maior do que uma simples carreira musical.

Rita tinha humor, irreverência e uma maneira própria de enxergar o mundo. Em uma época em que determinados assuntos ainda eram tratados com enorme conservadorismo, ela usava suas músicas e sua personalidade para desafiar padrões.

Também registrou suas memórias em autobiografia, contando episódios de sua vida com a mesma sinceridade e ironia que marcaram sua carreira.

Rita morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos, em sua casa, cercada pela família. Ela enfrentava um câncer de pulmão.

Sua partida provocou uma enorme comoção.

Durante anos, Rita demonstrou pouco interesse em ser colocada em determinados títulos ou rótulos. Mas, depois que ela morreu, uma coisa ficou evidente: sua influência sobre a música brasileira era impossível de ignorar.

CHRISTIAN: UMA DAS GRANDES VOZES DO SERTANEJO

O sertanejo também perdeu figuras importantes.

Christian, que formou ao lado do irmão Ralf uma das duplas mais respeitadas do gênero, construiu uma carreira marcada por técnica vocal, harmonia e grandes sucessos.

“Nova York”, “Cheiro de Shampoo” e “Saudade” fazem parte de um repertório que continua sendo lembrado pelos fãs do sertanejo tradicional.

A dupla Christian & Ralf atravessou décadas e conquistou um público que admirava principalmente a afinação dos irmãos.

Christian morreu em 19 de junho de 2024, aos 67 anos, em São Paulo.

Ele havia sido internado às pressas e, segundo as informações divulgadas na época, morreu em decorrência de um choque séptico causado por uma infecção generalizada associada a uma pneumonia agravada por outras condições de saúde.

Para os admiradores da dupla, sua morte representou a perda de uma das vozes que ajudaram a definir uma determinada fase do sertanejo brasileiro.

LILIAN E LENO: DOIS NOMES QUE AJUDARAM A DEFINIR A JOVEM GUARDA

Falar da Jovem Guarda sem lembrar de Lilian e Leno é praticamente impossível.

A dupla ficou marcada por canções como “Devolva-me” e “Pobre Menina”, músicas que atravessaram gerações e receberam novas interpretações ao longo dos anos.

Lilian, além de cantora, também foi compositora e participou de um período em que poucas mulheres tinham o mesmo espaço que os homens dentro do rock brasileiro.

Ela morreu em 22 de setembro de 2025, aos 76 anos, depois de enfrentar complicações relacionadas a um câncer.

A despedida aconteceu enquanto ela estava internada em uma UTI.

Dois anos antes, outro capítulo importante daquela história já havia sido encerrado.

Leno, nome artístico de Gileno Osório Vanderlei de Azevedo, morreu em 8 de dezembro de 2022, aos 73 anos, em Natal, no Rio Grande do Norte.

Ele também enfrentava um câncer.

A morte dos dois, separados por alguns anos, acabou simbolizando o desaparecimento gradual de uma geração que ajudou a transformar a juventude brasileira dos anos 1960.

DIANA E UMA DESPEDIDA INESPERADA

Nos anos 1970, Diana era uma das cantoras mais populares do país.

Sua voz ficou associada a músicas como “Por Que Brigamos?” e “Ainda Queima a Esperança”, canções que embalavam romances e histórias de amor.

Com o passar do tempo, Diana passou a levar uma vida mais reservada, longe da exposição constante da televisão.

Em 21 de agosto de 2024, aos 76 anos, ela foi encontrada inconsciente pelo próprio filho e levada para atendimento médico, mas não resistiu. As informações divulgadas apontaram suspeita de parada cardíaca.

Sua morte chamou atenção também por uma coincidência envolvendo a data.

Diana morreu em 21 de agosto, exatamente no mesmo dia em que Raul Seixas havia morrido, em 1989.

E Raul, curiosamente, teve participação importante no início da carreira da cantora.

RAUL SEIXAS: O MALUCO QUE NUNCA SAIU DA MEMÓRIA

Raul Seixas não foi simplesmente um cantor.

Para milhões de brasileiros, ele se tornou um símbolo de liberdade, questionamento e irreverência.

“Maluco Beleza”, “Metamorfose Ambulante”, “Tente Outra Vez” e “Gita” ajudaram a construir uma obra que misturava rock, filosofia, humor e crítica social.

Raul tinha uma maneira particular de escrever. Muitas de suas letras pareciam conversas, reflexões ou provocações.

Ele morreu em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos, em São Paulo.

A causa foi uma parada cardiorrespiratória relacionada a problemas de saúde que incluíam pancreatite crônica e hipoglicemia.

Poucos dias antes, Raul havia lançado “A Panela do Diabo”, álbum feito em parceria com Marcelo Nova.

Sua morte aconteceu cedo demais, mas talvez seja justamente por isso que sua obra permaneça tão viva.

Décadas depois, novas gerações continuam descobrindo Raul Seixas.

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MARCOS ROBERTO E A MÚSICA PARA QUEM GOSTAVA DE SOFRER

Na música romântica popular, Marcos Roberto ocupou um espaço especial.

Seu nome ficou associado principalmente a “A Última Carta”, uma canção dramática que conquistou o público e permaneceu durante meses entre as mais tocadas.

Era aquele tipo de música feita para quem gostava de ouvir rádio à noite e transformar uma desilusão amorosa em trilha sonora.

Marcos Roberto morreu em 21 de julho de 2012, aos 71 anos, em Osasco, São Paulo.

Ele estava internado e morreu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

Pessoas próximas também relataram que o cantor havia enfrentado um período emocionalmente difícil depois da morte da esposa, vítima de complicações de um câncer.

Sua trajetória representa uma época em que a música romântica ocupava um espaço enorme na vida cotidiana dos brasileiros.

BELCHIOR: UM POETA QUE PARECIA ESTAR SEMPRE FUGINDO

Belchior era diferente.

Sua música não precisava de grandes efeitos para chamar atenção. Bastavam algumas palavras.

“Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “Alucinação” e “Como Nossos Pais” tornaram-se hinos de uma geração que buscava respostas para suas próprias inquietações.

Seu modo de cantar era quase conversado. Era como se ele estivesse sentado diante do ouvinte contando uma história.

Belchior morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.

A causa inicialmente apontada esteve relacionada a uma dissecção da aorta.

Nos últimos anos, ele havia escolhido uma vida extremamente reservada, afastando-se dos holofotes.

Essa ausência alimentou ainda mais o fascínio em torno de sua figura.

Quando morreu, muita gente percebeu algo curioso: Belchior havia desaparecido da vida pública, mas nunca havia desaparecido das músicas.

Suas letras continuavam parecendo atuais.

NELSON NED: PEQUENO NO TAMANHO, GIGANTE NA VOZ

Nelson Ned ficou conhecido como o “Pequeno Gigante da Canção”.

E o apelido dizia muito sobre ele.

Apesar de sua baixa estatura, sua voz era enorme. Ele conquistou o Brasil e também alcançou grande reconhecimento em outros países da América Latina.

“Tudo Passará” tornou-se uma de suas marcas.

O cantor morreu em 5 de janeiro de 2014, aos 66 anos, em Cotia, São Paulo.

Ele havia sido internado com uma infecção respiratória aguda, pneumonia e outros problemas de saúde.

Nos últimos anos, sua saúde já estava fragilizada e ele vivia em uma clínica de repouso.

A morte de Nelson Ned foi sentida como o fim de uma época em que cantores românticos conseguiam vender milhões de discos apenas com a força da voz.

ÂNGELA RÔ RÔ: UMA ARTISTA SEM MEDO DE SER INTENSA

Ângela Rô Rô sempre foi intensa.

Na voz, nas letras, na personalidade e na maneira de subir ao palco.

Canções como “Amor, Meu Grande Amor”, “Gota de Sangue” e “Tola Foi Você” mostraram uma artista que não tinha medo de expor sentimentos.

Sua música misturava diferentes influências e carregava uma forte dose de emoção.

Ângela morreu em 8 de setembro, aos 75 anos, no Rio de Janeiro, depois de permanecer internada por meses.

Ela enfrentava problemas renais e uma grave infecção pulmonar, além de ter passado por procedimentos médicos durante a internação.

Sua morte atingiu especialmente aqueles que admiravam sua personalidade direta e sua disposição para viver a arte sem criar um personagem artificial.

JAYME RODRIGUES: A ALEGRIA EM CIMA DO PALCO

Outro artista lembrado pela energia era Jair Rodrigues.

Com um sorriso quase permanente e uma presença de palco impressionante, ele ajudou a transformar a música brasileira em espetáculo.

“Disparada” e “Deixa Isso Pra Lá” estão entre os grandes sucessos de sua carreira.

Também ficou eternizado pelas apresentações ao lado de Elis Regina no histórico programa “O Fino da Bossa”.

Jair morreu de maneira repentina em 8 de maio de 2014, aos 75 anos, em sua casa, em Cotia, na Grande São Paulo.

A causa foi um infarto agudo do miocárdio.

A notícia surpreendeu justamente porque sua imagem pública sempre esteve associada à vitalidade.

No funeral, amigos e familiares fizeram algo que combinava perfeitamente com sua trajetória: cantaram.

A despedida foi marcada por música.

WANDO E O ROMANTISMO QUE VIROU FENÔMENO POPULAR

Poucos artistas conseguiram transformar o romantismo popular em espetáculo como Wando.

Com sucessos como “Fogo e Paixão”, “Moça” e “Chora Coração”, ele criou uma relação muito particular com o público.

E havia uma marca inconfundível em seus shows: as famosas peças íntimas jogadas no palco pelas fãs.

Aquilo acabou se tornando parte da própria lenda de Wando.

Ele morreu em 8 de fevereiro de 2012, aos 66 anos, em Nova Lima, Minas Gerais, depois de permanecer internado por vários dias.

A causa da morte foi uma parada cardíaca.

Para muitos fãs, Wando representava uma época em que o cantor romântico podia ser, ao mesmo tempo, artista, personagem e fenômeno popular.

TIM MAIA: UMA VOZ IMPOSSÍVEL DE CONFUNDIR

Se existe uma voz que praticamente dispensa apresentação, é a de Tim Maia.

“Não Quero Dinheiro”, “Azul da Cor do Mar”, “Gostava Tanto de Você” e “Primavera” fazem parte de um repertório que atravessou gerações.

Tim misturou soul, funk, samba e música romântica de uma maneira que acabou criando um estilo próprio.

Era impossível confundi-lo com qualquer outro cantor.

Tim morreu em 15 de março de 1998, aos 55 anos, em Niterói, no Rio de Janeiro.

Ele havia passado mal durante uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói e precisou ser internado.

Sua morte esteve relacionada a uma série de problemas de saúde, incluindo complicações cardíacas, respiratórias e diabetes.

A partida de Tim chocou o país.

No palco, ele parecia indestrutível.

Fora dele, porém, existia um homem cheio de fragilidades.

E talvez seja justamente essa contradição que tenha tornado sua história tão humana.

BETH CARVALHO: A MADRINHA DO SAMBA

Beth Carvalho não ficou conhecida como madrinha do samba por acaso.

Ela não apenas cantou samba. Também ajudou a abrir portas para uma geração inteira de artistas.

Nomes como Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Almir Guineto e integrantes do Fundo de Quintal tiveram suas trajetórias associadas ao ambiente musical que Beth ajudou a fortalecer.

Entre seus maiores sucessos estão “Andança”, “Vou Festejar” e “Coisinha do Pai”.

Beth morreu em 30 de abril de 2019, aos 72 anos, no Rio de Janeiro.

Ela estava internada desde janeiro e morreu em decorrência de uma infecção generalizada.

Sua despedida também teve uma forte ligação com o Botafogo, clube pelo qual tinha enorme carinho.

Mais do que uma cantora, Beth deixou uma contribuição enorme para a história do samba brasileiro.

MILTINHO: O MESTRE DA DIVISÃO RÍTMICA

Miltinho tinha uma voz imediatamente reconhecível.

Com seu timbre anasalado e uma maneira muito particular de dividir as frases musicais, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira nas décadas de 1950 e 1960.

Canções como “Mulher de Trinta”, “Meu Nome é Ninguém” e “Leva Meu Samba” ajudaram a consolidar sua carreira.

Miltinho morreu em 7 de setembro de 2014, aos 86 anos, no Rio de Janeiro, após sofrer uma parada cardíaca.

Talvez sua morte não tenha provocado o mesmo barulho midiático de outros artistas, mas, entre os conhecedores da música brasileira, sua importância é enorme.

JOSÉ RICO E A VOZ QUE PARECIA CONTAR A VIDA DO BRASILEIRO

No sertanejo, José Rico construiu uma das histórias mais marcantes ao lado de Milionário.

A dupla ficou eternizada por músicas como “Estrada da Vida”, que se tornou praticamente um retrato musical das dificuldades, sonhos e frustrações de milhões de brasileiros.

A voz de José Rico era rasgada, dramática e carregada de emoção.

Ele não precisava explicar a dor.

Bastava cantar.

José Rico morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos, em Americana, São Paulo.

Ele havia sido internado com complicações de saúde que envolviam coração e rins.

Sua morte provocou enorme comoção no universo sertanejo.

Para muitos brasileiros, Milionário & José Rico não eram apenas uma dupla.

Eram parte da própria memória afetiva de viagens, rádios, festas, fazendas e reuniões familiares.

NANA CAYMMI: UMA VOZ DE ELEGÂNCIA RARA

Filha do lendário Dorival Caymmi, Nana Caymmi carregava uma herança musical enorme.

Mas não precisou viver à sombra do pai.

Construiu sua própria identidade e tornou-se uma das intérpretes mais respeitadas da música brasileira.

Sua voz profunda, elegante e emocional deu nova vida a inúmeros clássicos da MPB.

Nana morreu em 1º de maio de 2025, aos 84 anos, no Rio de Janeiro.

Ela estava internada desde 2024 e enfrentava problemas cardíacos e outras complicações de saúde.

Sua partida encerrou a trajetória de uma intérprete que sempre pareceu cantar com uma maturidade rara.

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JERRY ADRIANI E A ERA DOS GALÃS DA JOVEM GUARDA

Jerry Adriani foi outro rosto inesquecível da Jovem Guarda.

Bonito, carismático e dono de uma voz romântica, conquistou fãs com músicas como “Querida”, “Doce, Doce Amor” e “Um Grande Amor”.

Além da música, também trabalhou no cinema e na televisão.

Morreu em 23 de abril de 2017, aos 70 anos, no Rio de Janeiro.

Ele estava internado tratando um câncer de pâncreas.

Sua morte foi sentida não apenas pelos fãs, mas também por artistas que conviveram com ele.

Jerry carregava a imagem de uma época em que cantores também eram verdadeiros galãs da televisão.

CLÁUDIA TELLES E UMA CANÇÃO QUE PARECIA UMA LEMBRANÇA

Cláudia Telles nasceu cercada de música.

Filha da cantora Sylvia Telles, uma das grandes vozes ligadas à bossa nova, ela construiu sua própria trajetória.

Seu nome ficou especialmente associado a “Fim de Tarde”, uma canção delicada, romântica e profundamente nostálgica.

Cláudia morreu em 21 de fevereiro de 2020, aos 62 anos, no Rio de Janeiro.

Ela estava internada havia semanas enfrentando graves problemas cardíacos e pulmonares.

Sua morte aconteceu durante a sexta-feira que antecedia o Carnaval daquele ano.

Enquanto o país se preparava para a festa, uma voz delicada se despedia silenciosamente.

E talvez seja essa a melhor maneira de lembrar Cláudia: através de uma música que parece feita para momentos de saudade.

REGINALDO ROSSI: O REI DO BREGA

Reginaldo Rossi transformou a dor de amor em um verdadeiro fenômeno popular.

Chamado de Rei do Brega, ele criou músicas que ultrapassaram o universo dos bares e das rádios populares.

“Garçom”, “A Raposa e as Uvas” e “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme” tornaram-se parte da cultura popular brasileira.

Reginaldo morreu em 20 de dezembro de 2013, aos 69 anos, em Recife, Pernambuco.

Sua morte provocou uma enorme comoção no estado e em diversas regiões do país.

Ele tinha uma habilidade especial para cantar aquilo que muita gente sentia, mas talvez tivesse vergonha de admitir.

Por isso, até hoje, quando alguém pede uma música no estilo de uma grande desilusão amorosa, é difícil não lembrar dele.

ERASMO CARLOS: O ÚLTIMO GRANDE PILAR DA JOVEM GUARDA

Erasmo Carlos foi um dos nomes fundamentais da Jovem Guarda.

Conhecido como “Tremendão”, construiu ao lado de Roberto Carlos uma das parcerias mais importantes da música brasileira.

Músicas como “Festa de Arromba”, “Sentado à Beira do Caminho” e “Mesmo Que Seja Eu” atravessaram décadas.

Erasmo ajudou a dar uma identidade brasileira ao rock jovem e à música popular de sua época.

Ele morreu em 22 de novembro de 2022, aos 81 anos, no Rio de Janeiro.

Estava internado em um hospital da cidade.

Sua morte provocou enorme comoção entre fãs e artistas.

Para muitos brasileiros, Erasmo representava mais do que um cantor.

Ele era uma lembrança viva de uma época em que a juventude brasileira estava descobrindo novos sons, novos comportamentos e uma nova maneira de se expressar.

Quando o Tremendão partiu, uma parte daquela história também pareceu se despedir.

GAL COSTA: UMA DAS GRANDES VOZES DO BRASIL

E então chegamos a Gal Costa.

Poucas cantoras brasileiras tiveram uma trajetória tão rica.

Da Tropicália aos grandes sucessos populares, Gal transitou por diferentes estilos e períodos da música brasileira sem perder sua identidade.

“Baby”, “Chuva de Prata”, “Festa do Interior” e “Modinha para Gabriela” são apenas alguns exemplos de uma carreira extraordinária.

Gal morreu em 9 de novembro de 2022, aos 77 anos.

Ela havia passado por uma cirurgia para retirada de um nódulo na região nasal e estava temporariamente afastada dos palcos.

A notícia surpreendeu especialmente porque a cantora ainda estava em atividade e tinha compromissos profissionais previstos.

Seu velório, em São Paulo, reuniu familiares, artistas e centenas de admiradores.

Mais uma vez, o Brasil se viu diante da sensação de que uma voz que parecia eterna havia finalmente se calado.

AGNALDO RAYOL: O FIM DE UMA ERA

Agnaldo Rayol talvez seja um dos maiores símbolos daquela geração de artistas que dominavam rádio, televisão e música romântica.

Com uma voz poderosa e elegante, ele começou ainda muito jovem e construiu uma carreira que também passou pela televisão e pelo cinema.

Seu repertório incluía sucessos românticos e interpretações de músicas italianas que conquistaram o público brasileiro.

Agnaldo morreu em 4 de novembro de 2024, aos 86 anos, em São Paulo.

Segundo as informações divulgadas na época, ele sofreu uma queda em seu apartamento durante a madrugada. Foi levado ao hospital ainda consciente, mas não resistiu aos ferimentos.

A causa apontada foi traumatismo craniano.

A notícia provocou grande comoção.

E talvez o motivo seja simples: Agnaldo Rayol representava uma televisão e uma música que já não existem da mesma maneira.

Era a época dos grandes cantores de rádio, dos programas musicais, dos discos físicos e das vozes que precisavam conquistar o público sem depender de tecnologia.

Quando Agnaldo partiu, muitos brasileiros tiveram a sensação de que não estavam apenas perdendo um cantor.

Estavam perdendo uma época.

O QUE FICA QUANDO O ARTISTA VAI EMBORA?

Talvez essa seja a parte mais curiosa de toda essa história.

A morte encerra uma vida, mas não necessariamente encerra uma carreira.

Vanusa continua sendo ouvida.

Raul Seixas continua sendo descoberto por jovens que nem sequer eram nascidos quando ele morreu.

Tim Maia continua fazendo pessoas dançarem.

Beth Carvalho continua presente nas rodas de samba.

José Rico continua cantando histórias que parecem ter sido escritas para o trabalhador brasileiro.

Rita Lee continua provocando.

Erasmo Carlos continua sendo lembrado quando alguém fala da Jovem Guarda.

Gal Costa continua mostrando a força de uma voz que parecia não ter limites.

Reginaldo Rossi continua transformando desilusões amorosas em música.

Belchior continua fazendo perguntas que permanecem sem resposta.

E talvez esse seja o verdadeiro significado de um legado artístico.

O corpo desaparece.

A voz, não.

Porque música não fica presa ao tempo.

Ela passa de pai para filho, de uma fita cassete para um CD, de um disco para o streaming. Pode ser ouvida em uma rádio antiga, em um celular, em uma festa ou simplesmente na sala de casa.

Às vezes, uma única música é suficiente para devolver uma pessoa inteira à nossa memória.

E é por isso que determinados artistas parecem nunca morrer completamente.

Eles continuam aparecendo toda vez que alguém aperta o botão de tocar.

Continuam presentes quando uma família canta junto.

Continuam vivos quando uma pessoa escuta uma canção antiga e, por alguns segundos, volta a ser quem era décadas atrás.

Talvez seja impossível impedir o tempo de passar.

Mas algumas vozes encontraram uma maneira de atravessá-lo.

E, enquanto houver alguém cantando suas músicas, lembrando suas histórias e contando para outra geração quem eles foram, essas vozes jamais estarão realmente em silêncio.

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